China: dicas para planejamento de viagem

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Por Douglas Machado

Se você tem vontade de conhecer a China, mas está com medo por conta das diferenças culturais, da distância e do idioma, não se preocupe! Esse post é um roteiro básico para que você possa preparar uma viagem tranquila para o país asiático.

Visto

Diferentemente dos Estados Unidos, os vistos chineses são por tempo e por entrada (quantas vezes você vai entrar no país). É necessário entrar no site do consulado e conferir o tipo de visto que atende a sua necessidade. Também vale a pena ver direitinho se os locais que você vai são realmente na República Popular da China. Se você for até Hong Kong ou Macau, por exemplo, e tiver um visto de uma única entrada na China, não poderá entrar novamente. Já imaginou que aperto? De resto, é como o visto americano, mas mais rápido: agenda-se a entrevista, faz-se a entrevista e pega-se o visto. Diferentemente do visto americano, dificilmente vão negá-lo. A entrevista é mera formalidade. O preço também é inferior ao visto americano. O atendimento não é lá essas coisas, mas resolve rápido.

Dinheiro

Recomendo o Visa Travel Money, mesmo com os encargos recentes. Quando fui, carreguei em dólar mesmo e lá ele ia debitando em yuan (moeda chinesa). Vá também até uma casa de câmbio e compre alguns yuans para miudezas. Você não vai precisar de muito dinheiro… mesmo. A moeda chinesa vale muito pouco. Na época 100 yuans valiam 42 reais ou 15 dólares. E tudo lá é muito barato.

Comparação: 100 Yuan = 42 reais = 15 dólares (em maio de 2012)

Comparação: 100 Yuan = 42 reais = 15 dólares (em maio de 2012)

Viagem

Dá para fazer tudo pelos sites tradicionais. No meu caso, fiz pela Decolar. Todos os voos têm escala (por motivos óbvios) e o fuso é de 12 horas. Prepare-se para chegar exausto. Você gastará no mínimo dois dias de viagem.

Hotel

O preço dos hotéis é bem em conta. Também dá para fazer tudo pelos sites tradicionais, como o Booking. Veja com cuidado os comentários, principalmente para questões relacionadas à higiene.

Hotel da rede Days Inn em Beijing

Hotel da rede Days Inn em Beijing

Turismo

Bem, aqui entra um assunto meio controverso. Normalmente sou a favor de “desempacotar”, ou seja, de fazer tudo por conta própria. No caso da China, recomendo um pacote para transporte e passeios. O melhor é fazer um pacote com guia, como eu fiz. Carro particular e guia com inglês fluente não custa caro. Vá em todos os clichês. Beijing é um must do. Se nunca foi na China, vá em  Beijing primeiro. Faça tudo o que tiver direito, principalmente: Cidade Proibida, Tiananmen Square, Muralha, Mausoléo do Mao, Summer Palace, Mings Tombs, Birds Nest (o Ninho de Pássaro) e os famosos Hutongs.

Curiosidades

Dicas e curiosidades que vão te ajudar por lá.

– Praticantes de inglês: adolescentes virão conversar com você (se estiver desacompanhado), dizendo que querem apenas praticar o inglês. São pessoas muito simpáticas. Te chamarão para uma casa de chá e pedirão os chás mais caros (caros MESMO). No final vão pedir para você pagar a conta. Em resumo: converse, se quiser, mas não vá a nenhuma casa de chá, bar e etc.

– Segurança: apesar desse “golpe”, a China é um país extremamente seguro para turistas. Beijing tem mais de 20 milhões de habitantes e você pode contar dinheiro na rua e usar seus gadgets tranquilamente. Ninguém vai te assaltar. Ninguém mesmo.

– Escarros: chineses escarram o tempo todo. Até as comissárias de voo escarram (e cospem). Em Beijing há locais com placas de “proibido cuspir”. É cultural. Acostume-se com isso.

– Trânsito: você acha o trânsito do Rio caótico? É porque nunca foi na China… Pense num condutor de trem, que nunca para nem dá a preferência e só buzina. Lá é assim para qualquer tipo de veículo, desde o carrinho elétrico do vigilante do aeroporto até ônibus e caminhões. Todo mundo buzina MUITO. Chega a ser infantil, sabe? Tipo… “sai da frente… bi bi bi, saaaai”. Nunca atravesse a rua sem olhar para os lados, mesmo que o sinal esteja verde para você. Fique um tempo parado no cruzamento e olhe como os chineses atravessam. Uma hora você vai descobrir uma brecha e aí é só atravessar o mais rápido possível, sempre olhando. Tome cuidado também com as bicicletas. Em Beijing são proibidas motos e bicicletas com motor a combustão. Todas são elétricas. São rápidas e silenciosas. E são muitas.

– Voo: as chances de tomarem seu assento são grandes. Chame a comissária se isso acontecer. Possivelmente o chinês sentado em seu lugar fingirá não falar inglês (o que eu duvido, já que ele está num voo internacional).

– Filas: onde cabe um chinês, haverá um chinês. As filas não são respeitadas. É diferente do que acontece no Rio, por exemplo. O chinês não é “malandro” ao furar a fila. Ele entra na sua frente e pronto. O macete é não deixar espaço. Acontece em qualquer lugar: embarque no avião, elevador, restaurante self service, trânsito, banheiro, caixa e etc.

– Internet: os serviços que mais usamos no ocidente são bloqueados. Nada de Facebook, Twitter, Google Plus, WordPress e etc. Se você quiser essas mídias, compre um app de VPN (pergunte seu amigo que entende de informática antes de ir).

– Poluição: não tenha expectativas de tirar belas fotos da vista. A poluição está em todo lugar. O céu geralmente é cinza e você não enxerga muito longe. Ver o sol, só no avião…

Tiananmen Square. Note a cor do céu.

Tiananmen Square. Note a cor do céu.

– Comida: espetacular, se você gosta de comida oriental. Os orientais comem muito bem, em quantidade e qualidade. Não espere derivados do leite, mas esteja preparado para comer shitake e sushi logo pela manhã. Não tenha frescura. Os chineses compartilham a comida (exceto o arroz).

Café da manhã: shitake

Café da manhã: massa com cogumelos

Mais cogumelos.

Mais cogumelos.

O melhor shitake.

O melhor shitake.

Apenas uma parte do que é servido em um jantar. MUITA variedade.

Apenas uma parte do que é servido em um jantar. MUITA variedade.

– Banheiro: eles não usam a privada que usamos por aqui, mas sim latrinas. Até no aeroporto de Beijing (que é muito luxuoso) usam-se latrinas. Se não conseguir se acostumar com a ideia, veja antes se o seu hotel tem privadas “comuns”.

– Serviço de quartotranque a porta do quarto. As arrumadeiras, falando em chinês, batem várias vezes na porta (como o Sheldon do Big Bang) e entram. Sim! Elas entram, falam contigo em chinês, não importa como você está vestido, fazem o que têm de fazer e saem.

Smartphone/tablet: recomendo levar um (com acesso à internet – alugando um chip por lá). Será muito importante para ajudar na sua comunicação. Se você não fala chinês, será muito útil escrever em português e mostrar para as pessoas em chinês. Importante: pessoas mais simples (como taxistas, motoristas e etc.) nem sempre sabem ler.

Por fim, recomendo que você assista muitos documentários e leia muito antes de ir. Aprenda a falar o básico em chinês (“oi” e “obrigado” pelo menos). A China é um país fantástico que está crescendo aceleradamente. Se você acha que a China é um país pobre que está se tornando rico, lembre-se de que por milênios a China mandou e desmandou no mundo inteiro. Eles estão apenas se empenhando em retornar a esse status…