Beijing: um tour pela cultura milenar da China

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Por Douglas Machado

Em maio de 2012 tive a oportunidade de conhecer Beijing. Nesse post relato os quatro dias fantásticos que passei por lá, com algumas dicas úteis.

Antes de mais nada, para realizar passeios aos principais pontos turísticos de Beijing recomendo o serviço de guia turístico chamado China Highlights. Há passeios em grupo e há também a possibilidade de ter um guia exclusivamente te acompanhando, com entradas pagas e transporte.

Veja abaixo os principais pontos turísticos que você não pode deixar de conhecer.

Aeroporto

O turismo começa no aeroporto internacional de Beijing. É simplesmente o maior do mundo. Em formato de dragão, esbanja beleza e tecnologia. Para se locomover entre os terminais usa-se um trem elétrico, sem condutor, parecido com o do JFK. Vale a pena gastar um tempo por lá tirando fotos.

Tiananmen Square, Praça da Paz Celestial

É sem dúvida alguma a praça mais famosa do mundo. Quem nunca viu a icônica foto abaixo?

Hoje para diante de tanque em manifestações pró-democracia, 1989.

Homem para diante de tanque em manifestações pró-democracia, 1989.

Praça da Paz Celestial

Praça da Paz Celestial

Cabem dois milhões de pessoas na Praça da Paz Celestial. O governo Chinês tem pavor de aglomerações por conta do risco de protestos, por isso hoje em dia a praça é fortemente vigiada. Passa-se até por detector de metais e revista. Tem polícia para todo lado e, inclusive, policiais à paisana. Só se pode andar em um sentido. Se você tentar voltar, há grandes chances de ser abordado por um policial. Se estiver com um guia, ele não deixará você fazer isso.

A praça é simplesmente linda. Era de lá que a população assistia seus imperadores quando se dirigiam ao povo. Os chineses têm muito orgulho do local. Tanto que minha guia fez questão que eu fotografasse a bandeira. A praça não tem nenhum significado religioso, mas sim histórico. É importante respeitar.

Mausoléu do Mao

O chinês dá um valor absurdo a esse local, devido à admiração que se tem pela figura do Mao Tsé-Tung. Tirei uma foto na entrada, mas não quis entrar. Aparenta ser um local bacana para o turista chinês e não para o estrangeiro.

Great Hall of the People

Ainda hoje o partido comunista se reúne neste local para atividades legislativas e cerimoniais. Vale a pena dar uma passada por perto.

Cidade Imperial

Aqui vai um ponto de atenção: a Cidade Proibida fica dentro da Cidade Imperial. Portanto, não confunda as duas 🙂

A cidade imperial é milenar. Vale a pena conhecer cada detalhe. Seu guia irá lhe dizer fatos históricos importantíssimos sobre o local. Tudo tem um significado. Nada passa batido: tamanho dos portais, quantidade de tijolos, cores e etc. Cada detalhe conta.

Cidade Imperial

Cidade Imperial

Cidade Imperial

Cidade Imperial

Cidade Imperial

Cidade Imperial

Cidade Imperial

Cidade Imperial

Cidade Proibida

Ida obrigatória. É indescritível. A imponência chega a ser assustadora. Há uma montanha artificial no final (sim, artificial!), construída apenas para se impor respeito. Tudo é muito bem conservado.

Trono do Imperador, na Cidade Proibida.

Trono do Imperador, na Cidade Proibida.

Summer Palace

O verão de Beijing é muito quente. Por isso o imperador mandou construir um segundo palácio, em outro local, para que pudesse passar o verão. Conseguiram: a temperatura média chega a ser 4ºC inferior a Beijing. O imperador e sua família abriam mão de toda a segurança da cidade proibida para se refrescarem por lá.

Summer Palace

Summer Palace

Summer Palace

Summer Palace

Summer Palace

Summer Palace

Summer Palace

Summer Palace

O lugar é espetacular. Há várias esculturas de pedras que parecem artificiais, mas na verdade são pedras retiradas do fundo de rios. Tem um barco de pedra que, naturalmente, não navega, mas foi feito com o único objetivo de impressionar. Há um corredor de 720 metros com obras de arte (mais uma vez, o maior do mundo).

Temple of Heaven

No passado os chineses acreditavam em várias divindades. Havia um deus para cada “assunto”. O “deus do céu”, entretanto, era o mais importante, tendo direito a templo privativo. Apenas o imperador podia fazer sacrifícios para ele. Vale a visita pelo valor histórico e pela beleza. O deus é um paninho azul, que pode ser visto de fora.

Temple of Heaven

Temple of Heaven

Vale a pena conhecer também o jardim (se estiver no verão). Há um dragão de flores muito bonito, que merece ser fotografado.

Temple of Heaven

Temple of Heaven

Ming Tombs

São as tumbas da dinastia Ming. Como tudo por lá, é extremamente imponente. A entrada (via sacra) tem mais de um quilômetro. Todo o percurso é guardado por diferente animais de pedra, sempre em pares (aquela coisa de yin e yang dos chineses).

Tumbas da Dinastia Ming

Tumbas da Dinastia Ming

Tem mais de 500 anos. Há uma maquete lá dentro que dá uma boa noção do tamanho do lugar. Assim como na cidade proibida, há uma montanha artificial. Dizem que todos os operários que trabalharam em sua construção foram mortos e enterrados lá mesmo, para que jamais se soubesse a localização exata do túmulo do imperador.

Um portal que separa o céu do mundo. O degrau serve para evitar que os espíritos que voavam "rasteiro" passassem....

Um portal que separa o céu do mundo. O degrau servia para evitar que os espíritos que voavam “rasteiro” passassem….

Muralhas da China

Essa é obrigatória. Vale dizer que a muralha cruza o país inteiro, mas nem todos os pontos são conservados o suficiente para o turismo (considere que a muralha é milenar e no início era apenas um monte de barro). Em Beijing tem-se a parte mais nova da muralha (ainda assim, centenária, claro), e mais bem conservada. Não queira caminhar por toda a muralha. São vários os pontos de visitação. O melhor é pegar o teleférico*, andar nos pontos mais famosos, e voltar também por ele. Procure saber sobre a história da muralha antes de ir. É incrível…

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A Grande Muralha da China

A Grande Muralha da China

*É preciso ter coragem para andar nesse teleférico.

Vila Olímpica

Seguindo a tradição megalomaníaca, tudo impressiona. A estrutura ficou toda lá. Vale a pena a visita, principalmente no estádio Birds Nest (ninho de pássaro).

Birds Nest. Eu e minha guia em Beijing.

Birds Nest. Eu e minha guia em Beijing.

Cidade Olímpica. Por que não fazer um prédio em forma de dragão?

Cidade Olímpica. Por que não fazer um prédio em forma de dragão?

Hutongs

Parte mais antiga (e cara) de Beijing. Originalmente era um local pobre. Várias pessoas moravam amontoadas. Depois do tombamento virou cool, assim como tem acontecido em algumas regiões de favelas no Rio. Fiz o tour, mas não recomendo. É bacana para turista de país rico. Para o brasileiro, que conhece a realidade pobre de um país, não compensa gastar o tempo por lá.

Hutongs. Hoje é o metro quadrado mais caro de Beijing

Hutongs. Hoje é o metro quadrado mais caro de Beijing

Área central

Chega a lembrar a Times Square (foi feito para isso). É o local mais moderninho da cidade. Você verá, na mesma rua, concessionárias da Ferrari, Maserati, Aston Martin, Rols Royce…

Centro da cidade

Centro da cidade

Feirinha: tem grilo, escorpião, bicho da seda...

Feirinha: tem grilo, escorpião, bicho da seda…

Se está indo na China pela primeira vez, recomendo conhecer todos esses locais, ficando o máximo de tempo possível na Cidade Imperial, Cidade Proibida, Muralha, tumbas da dinastia Ming e Summer Palace.

Visitar um país com uma cultura milenar como a da China é muito enriquecedor e também um choque cultural…

Curiosidades

Nome: Beijing ou Pequim? Em português fala-se “Pequim”, mas em inglês “Beijing”. Por lá usa-se a pronúncia mais próxima de Beijing.

Idioma: fala-se inglês na China? Sim, em locais turísticos, principalmente em Beijing. Mas não se empolgue. Pense que é como no Brasil: taxistas, caixas, motoristas e etc. dificilmente falam outro idioma que não o seu próprio.

Religião: a maioria da população não acredita em nenhum deus, santo, espírito e etc. Os que se declaram religiosos são taoistas, mas é mais para constar. Não vá dizer “vá com deus”, “fica com deus”, “deus te pague” e etc. porque eles não vão entender nada. Igrejas, nem pensar.

Segurança: A cidade tem mais de 20 milhões de habitantes, sendo a segunda maior cidade chinesa. Ainda assim a criminalidade é quase inexistente.

Veja mais dicas no post China: dicas para planejamento de viagem.

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China: dicas para planejamento de viagem

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Por Douglas Machado

Se você tem vontade de conhecer a China, mas está com medo por conta das diferenças culturais, da distância e do idioma, não se preocupe! Esse post é um roteiro básico para que você possa preparar uma viagem tranquila para o país asiático.

Visto

Diferentemente dos Estados Unidos, os vistos chineses são por tempo e por entrada (quantas vezes você vai entrar no país). É necessário entrar no site do consulado e conferir o tipo de visto que atende a sua necessidade. Também vale a pena ver direitinho se os locais que você vai são realmente na República Popular da China. Se você for até Hong Kong ou Macau, por exemplo, e tiver um visto de uma única entrada na China, não poderá entrar novamente. Já imaginou que aperto? De resto, é como o visto americano, mas mais rápido: agenda-se a entrevista, faz-se a entrevista e pega-se o visto. Diferentemente do visto americano, dificilmente vão negá-lo. A entrevista é mera formalidade. O preço também é inferior ao visto americano. O atendimento não é lá essas coisas, mas resolve rápido.

Dinheiro

Recomendo o Visa Travel Money, mesmo com os encargos recentes. Quando fui, carreguei em dólar mesmo e lá ele ia debitando em yuan (moeda chinesa). Vá também até uma casa de câmbio e compre alguns yuans para miudezas. Você não vai precisar de muito dinheiro… mesmo. A moeda chinesa vale muito pouco. Na época 100 yuans valiam 42 reais ou 15 dólares. E tudo lá é muito barato.

Comparação: 100 Yuan = 42 reais = 15 dólares (em maio de 2012)

Comparação: 100 Yuan = 42 reais = 15 dólares (em maio de 2012)

Viagem

Dá para fazer tudo pelos sites tradicionais. No meu caso, fiz pela Decolar. Todos os voos têm escala (por motivos óbvios) e o fuso é de 12 horas. Prepare-se para chegar exausto. Você gastará no mínimo dois dias de viagem.

Hotel

O preço dos hotéis é bem em conta. Também dá para fazer tudo pelos sites tradicionais, como o Booking. Veja com cuidado os comentários, principalmente para questões relacionadas à higiene.

Hotel da rede Days Inn em Beijing

Hotel da rede Days Inn em Beijing

Turismo

Bem, aqui entra um assunto meio controverso. Normalmente sou a favor de “desempacotar”, ou seja, de fazer tudo por conta própria. No caso da China, recomendo um pacote para transporte e passeios. O melhor é fazer um pacote com guia, como eu fiz. Carro particular e guia com inglês fluente não custa caro. Vá em todos os clichês. Beijing é um must do. Se nunca foi na China, vá em  Beijing primeiro. Faça tudo o que tiver direito, principalmente: Cidade Proibida, Tiananmen Square, Muralha, Mausoléo do Mao, Summer Palace, Mings Tombs, Birds Nest (o Ninho de Pássaro) e os famosos Hutongs.

Curiosidades

Dicas e curiosidades que vão te ajudar por lá.

– Praticantes de inglês: adolescentes virão conversar com você (se estiver desacompanhado), dizendo que querem apenas praticar o inglês. São pessoas muito simpáticas. Te chamarão para uma casa de chá e pedirão os chás mais caros (caros MESMO). No final vão pedir para você pagar a conta. Em resumo: converse, se quiser, mas não vá a nenhuma casa de chá, bar e etc.

– Segurança: apesar desse “golpe”, a China é um país extremamente seguro para turistas. Beijing tem mais de 20 milhões de habitantes e você pode contar dinheiro na rua e usar seus gadgets tranquilamente. Ninguém vai te assaltar. Ninguém mesmo.

– Escarros: chineses escarram o tempo todo. Até as comissárias de voo escarram (e cospem). Em Beijing há locais com placas de “proibido cuspir”. É cultural. Acostume-se com isso.

– Trânsito: você acha o trânsito do Rio caótico? É porque nunca foi na China… Pense num condutor de trem, que nunca para nem dá a preferência e só buzina. Lá é assim para qualquer tipo de veículo, desde o carrinho elétrico do vigilante do aeroporto até ônibus e caminhões. Todo mundo buzina MUITO. Chega a ser infantil, sabe? Tipo… “sai da frente… bi bi bi, saaaai”. Nunca atravesse a rua sem olhar para os lados, mesmo que o sinal esteja verde para você. Fique um tempo parado no cruzamento e olhe como os chineses atravessam. Uma hora você vai descobrir uma brecha e aí é só atravessar o mais rápido possível, sempre olhando. Tome cuidado também com as bicicletas. Em Beijing são proibidas motos e bicicletas com motor a combustão. Todas são elétricas. São rápidas e silenciosas. E são muitas.

– Voo: as chances de tomarem seu assento são grandes. Chame a comissária se isso acontecer. Possivelmente o chinês sentado em seu lugar fingirá não falar inglês (o que eu duvido, já que ele está num voo internacional).

– Filas: onde cabe um chinês, haverá um chinês. As filas não são respeitadas. É diferente do que acontece no Rio, por exemplo. O chinês não é “malandro” ao furar a fila. Ele entra na sua frente e pronto. O macete é não deixar espaço. Acontece em qualquer lugar: embarque no avião, elevador, restaurante self service, trânsito, banheiro, caixa e etc.

– Internet: os serviços que mais usamos no ocidente são bloqueados. Nada de Facebook, Twitter, Google Plus, WordPress e etc. Se você quiser essas mídias, compre um app de VPN (pergunte seu amigo que entende de informática antes de ir).

– Poluição: não tenha expectativas de tirar belas fotos da vista. A poluição está em todo lugar. O céu geralmente é cinza e você não enxerga muito longe. Ver o sol, só no avião…

Tiananmen Square. Note a cor do céu.

Tiananmen Square. Note a cor do céu.

– Comida: espetacular, se você gosta de comida oriental. Os orientais comem muito bem, em quantidade e qualidade. Não espere derivados do leite, mas esteja preparado para comer shitake e sushi logo pela manhã. Não tenha frescura. Os chineses compartilham a comida (exceto o arroz).

Café da manhã: shitake

Café da manhã: massa com cogumelos

Mais cogumelos.

Mais cogumelos.

O melhor shitake.

O melhor shitake.

Apenas uma parte do que é servido em um jantar. MUITA variedade.

Apenas uma parte do que é servido em um jantar. MUITA variedade.

– Banheiro: eles não usam a privada que usamos por aqui, mas sim latrinas. Até no aeroporto de Beijing (que é muito luxuoso) usam-se latrinas. Se não conseguir se acostumar com a ideia, veja antes se o seu hotel tem privadas “comuns”.

– Serviço de quartotranque a porta do quarto. As arrumadeiras, falando em chinês, batem várias vezes na porta (como o Sheldon do Big Bang) e entram. Sim! Elas entram, falam contigo em chinês, não importa como você está vestido, fazem o que têm de fazer e saem.

Smartphone/tablet: recomendo levar um (com acesso à internet – alugando um chip por lá). Será muito importante para ajudar na sua comunicação. Se você não fala chinês, será muito útil escrever em português e mostrar para as pessoas em chinês. Importante: pessoas mais simples (como taxistas, motoristas e etc.) nem sempre sabem ler.

Por fim, recomendo que você assista muitos documentários e leia muito antes de ir. Aprenda a falar o básico em chinês (“oi” e “obrigado” pelo menos). A China é um país fantástico que está crescendo aceleradamente. Se você acha que a China é um país pobre que está se tornando rico, lembre-se de que por milênios a China mandou e desmandou no mundo inteiro. Eles estão apenas se empenhando em retornar a esse status…

GPS bom e barato

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Muitos estão deixando de comprar um aparelho de GPS dedicado para usar aplicativos de smartphones e tablets. Entretanto, se você não tem um gadget nem um plano de dados bom o suficiente para isso, acabará optando por um aparelhinho exclusivo.

Antes de falar sobre o aparelho em si, quero descrever o motivo que me levou a comprá-lo. Levei meu próprio GPS para dirigir nos Estados Unidos. Chegando lá, descobri que não tinha o mapa americano (acidentalmente foi apagado em uma atualização de última hora), o que tornou o aparelho inútil. Sem o cabo de dados, não havia opção sequer de comprar o mapa. Foi então que decidi ir ao Wallmart comprar um GPS barato, apenas para quebrar o galho e não arruinar minhas férias me perdendo em Orlando.

Comprei o Tomtom Start 55. Paguei meros US$ 100.00 (próximo de R$ 252,00 na cotação da época – jan/14). As limitações são óbvias: tela de LCD (enquanto os melhores usam LED), processamento lento e não tem bluetooth. Mas devo dizer que o aparelhinho superou minhas expectativas. A navegação é simples, embora não seja possível digitar rapidamente. Se errar o caminho, ele não vai refazer a rota instantaneamente, mas não demora mais do que alguns segundos. E o melhor: a Tomtom tem atualização vitalícia dos mapas, diferente da Garmin que só libera por alguns meses.

Ao voltar para o Brasil, pensei que o aparelho custasse o dobro do preço lá fora. Eis que para a minha surpresa o Wallmart está cobrando meros R$ 299,00. Não passa muito disso.

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Importante: embora tenha atualização vitalícia, o aparelho tem apenas o mapa do país de origem. Ou seja, se comprar no Brasil, terá apenas o mapa do Brasil. Se comprar nos Estados Unidos (meu caso), terá que pagar (caro) para comprar o mapa brasileiro.

Viajando de moto nos Estados Unidos

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Por Douglas Machado

IMG_5975 Em janeiro desse ano (2014) realizei o sonho de pilotar fora do Brasil. De férias nos Estados Unidos, aluguei uma Harley-Davidson Electra Glide Classic por um fim de semana. Nesse post faço um relato da experiência e dou dicas práticas para quem tiver planos de pilotar por lá.

– Roupas, acessórios e a gafe tupiniquim

No dia anterior fui numa loja de roupas e acessórios comprar os equipamentos que nunca tive coragem de comprar no Brasil devido aos altos preços (jaqueta, calça, bota e luvas). Optei pela Cycle Gear, a maior da região. A loja é um colosso… tem de tudo. E o atendimento é ótimo. Sobre o atendimento, começo esse post narrando a pequena vergonha tupiniquim que passei por lá. Ao chegar na loja, me espanto com a falta de motos no estacionamento. Logo concluí o óbvio: poucos americanos usam a moto como veículo para o dia a dia. Ao entrar na loja o vendedor, muito atencioso, perguntou que moto eu tinha para poder me ajudar melhor. Minha moto é uma Yamaha Lander 250cc, moto boa no Brasil, considerada por aqui uma moto “grande”. Eu sabia que não tinha Lander por lá e que o padrão americano é mais elevado, então humildemente disse que tinha uma Yamaha trail “pequena”. Eis que o vendedor me pergunta: “tipo uma Ténéré 600?”. Timidamente digo que não, que era uma 250cc. A expressão de decepção do vendedor foi impagável…

– Pegando a moto

Tendo comprado o que precisava, fui na Eagle Rider no sábado de manhã buscar minha Harley. Novamente, excelente atendimento. Muitas opções de moto. Escolhi a Electra Glide por ser, em teoria, uma excelente cruiser. Digo “em teoria” porque apesar de ter moto desde 2004, só tive duas motos até então. Ao pegar a moto o vendedor me deu todas as instruções. Ensinou a usar o cruse control, o aparelho de som (sim, ela tem um som de excelente qualidade!) e todos os acessórios. A insegurança foi inevitável, já que iria pilotar uma moto grande pela primeira vez (motor 1700cc e mais de 300 kg) sendo que também era a primeira vez que pilotava nos Estados Unidos. Com bastante cuidado e fingindo ser experiente no assunto, saí da loja e fui para o hotel, onde minha esposa deixaria o carro para fazermos a primeira viagem: um bate e volta Orlando – Daytona Beach.

– Pegando a estrada

Saímos de orlando e pegamos I-4. Asfalto perfeito, diferente de qualquer coisa que exista no Brasil. Sinalização clara. Trânsito disciplinado. As duas poucas regras desrespeitadas por lá são: limite de velocidade e buzina. Para-se no pare, não se anda pelo acostamento, preferências são respeitadas. Ninguém força passagem. Não tem “espertos” furando fila nem coisas do tipo. A buzina é para quem deixa de fazer uso de sua preferência e fica parado “comendo mosca”. Ou seja, é só respeitar a sinalização que você viaja tranquilo. E tranquilidade não faltava na Electra Glide. Um grande para-brisa segurava o vento gelado daquele dia frio (cerca de 10 ºC). Os assentos, enormes, pareciam uma poltrona de uma sala confortável. Pés e braços esticados. Rádio via satélite transmitindo um bom rock’n’roll  em alta definição. Praticamente não há curvas nem ladeiras. Também não há mudanças na velocidade, pois mesmo quando há entradas/saídas para grandes rodovias, a quantidade de pistas aumenta. Cerca de uma hora e meia depois chegamos em Daytona Beach.

– Daytona Beach

A cidade é um ícone do automobilismo e do motociclismo. Na chegada logo se vê o famoso autódromo que sedia uma das competições mais conhecidas do mundo: a Nascar. Na rua principal (“Main Street”, literalmente), muitas lojas de moto e bares. Com certa dificuldade (pela falta de experiência com a moto), passamos pelas pequenas ruas e paramos em um estacionamento. Em seguida fizemos uma pequena caminhada pela orla. Sobre a orla, vale a pena destacar que a passagem de veículos é permitida. E o motivo é plausível: nessa imensidão de mais de 10 milhas foi onde começaram as corridas. Almoçamos no famoso “The Pier”. A comida deve ser boa para quem come siri (especialidade lá). O prato que comemos não era lá essas coisas e foi bem caro…

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– Voltando para Orlando

A volta foi tranquila. Curtimos a moto, o som e conversamos muito (mesmo rodando a 70 mph – equivalente a 112 km/h –  é possível conversar com o carona por conta do parabrisa). Ao chegar em Orlando, senti o peso da moto: dores nos braços por conta da embreagem pesada (afinal, o motor tem 1700 cc) e das manobras. No dia seguinte o passeio seria mais ousado: Miami.

– Bate e volta em Miami

As dores no braço incomodavam, mas nada me impediria de rodar os 600 km previstos para aquele dia. Aprendi a usar o cruise control e a viagem foi totalmente diferente. Sem me preocupar com o acelerador, sem curvas nem trevos/cruzamentos, deixei de ser um piloto e me tornei um passageiro (e de primeira classe!). Notei que a 70 mph todos os carros (inclusive ônibus e carretas) me ultrapassavam. Aumentei então para 80 mph (128 km/h). Fiquei um pouco preocupado com os patrulheiros rodoviários que, como nos filmes, ficam em seus possantes carros na beira da estrada. Mas ao perceber que ninguém trafegava numa velocidade inferior à minha, decidi mantê-la. Ainda assim, pude testemunhar várias “intervenções” da polícia. Chega a ser divertido: você olha no retrovisor e vê o sheriff vindo com tudo (e olha que eu estava a quase 130!). De repente ele “cola” na traseira de um determinado carro, cujo motorista sabe que precisa parar no acostamento. A cena se repetiu várias vezes…

Nosso plano inicial era conhecer Miami, mas na véspera optamos por aproveitar a viagem para fazer compras no Sawgrass Mills – afinal, espaço para a bagagem não faltava na moto. Almoçamos, compramos e pegamos a estrada por volta de 17h, horário em que o sol se põe por lá nessa época do ano. Vimos um pôr do sol lindo e logo escureceu. Novamente, viagem tranquila…

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Guia prático (e resumido) para quem quer alugar uma moto nos EUA:

  1. Roupas e acessórios: http://www.cyclegear.com . É uma das melhores lojas para motociclistas. Veja de uma vez o que você quer comprar para não gastar muito tempo na loja (você ficará fascinado com a quantidade de itens e os preços baixos).
  2. Aluguel da moto: http://www.eaglerider.com . Você tem que reservar com antecedência. Se for viajar, recomendo uma cruiser. Se quiser passear pela cidade, o melhor é pegar uma moto menor. O atendimento via email é impecável. Qualquer dúvida, é só acionar.
  3. Seguro: faça. Motos desse padrão custam em torno de US$ 20.000,00. Nas ruas sobram Porsches, BMWs, Buicks e etc. O trânsito é disciplinado e a criminalidade é baixa. Entretanto, se você esbarrar num carro desses ou tiver a moto furtada, terá uma bela dívida para pagar.
  4. Capacete: recomendo que compre um. Na maioria dos estados o uso do capacete é opcional. A locadora vai te emprestar um, mas é só um enfeite. Sequer tem viseira. Não queira pilotar numa noite fria sem viseira como eu pilotei…
  5. Combustível: você vai ter que aprender a abastecer sua própria moto, já que lá não tem frentista. É simples: pague um valor alto no caixa, dizendo a bomba onde você está (cerca de US 20.00 será mais do que suficiente se o tanque estiver vazio), abasteça com muito cuidado para não entornar e volte para pegar o troco (ou estornar o cartão).
  6. Regras de circulação: nada de “usar o bom senso”. Respeite as regras e pronto. Tem que parar no pare. Em faixa contínua não se troca de pista. Seta deve ser usada. E a preferência é SEMPRE do pedestre – que normalmente não olha antes de atravessar. As diferenças para o Brasil são poucas: 1) no sinal vermelho é possível dobrar à direita (exceto se o sinal estiver em forma de seta para a direita); 2) na maioria dos cruzamentos é possível converter à esquerda; 3) na cidade a pista do meio normalmente só é utilizada para conversões à esquerda.
  7. Moto: assista vídeos no Youtube sobre a moto que você vai alugar. Quanto mais conhecer a moto, melhor.
  8. GPS: recomendo alugar um (na própria locadora). Ele já virá ligado na bateria e acoplado no painel. É próprio para moto (pode ser manuseado de luva e resiste à chuva).
  9. Tempo: olhe a previsão do tempo na internet e vista-se adequadamente.