Viajando de moto nos Estados Unidos

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Por Douglas Machado

IMG_5975 Em janeiro desse ano (2014) realizei o sonho de pilotar fora do Brasil. De férias nos Estados Unidos, aluguei uma Harley-Davidson Electra Glide Classic por um fim de semana. Nesse post faço um relato da experiência e dou dicas práticas para quem tiver planos de pilotar por lá.

– Roupas, acessórios e a gafe tupiniquim

No dia anterior fui numa loja de roupas e acessórios comprar os equipamentos que nunca tive coragem de comprar no Brasil devido aos altos preços (jaqueta, calça, bota e luvas). Optei pela Cycle Gear, a maior da região. A loja é um colosso… tem de tudo. E o atendimento é ótimo. Sobre o atendimento, começo esse post narrando a pequena vergonha tupiniquim que passei por lá. Ao chegar na loja, me espanto com a falta de motos no estacionamento. Logo concluí o óbvio: poucos americanos usam a moto como veículo para o dia a dia. Ao entrar na loja o vendedor, muito atencioso, perguntou que moto eu tinha para poder me ajudar melhor. Minha moto é uma Yamaha Lander 250cc, moto boa no Brasil, considerada por aqui uma moto “grande”. Eu sabia que não tinha Lander por lá e que o padrão americano é mais elevado, então humildemente disse que tinha uma Yamaha trail “pequena”. Eis que o vendedor me pergunta: “tipo uma Ténéré 600?”. Timidamente digo que não, que era uma 250cc. A expressão de decepção do vendedor foi impagável…

– Pegando a moto

Tendo comprado o que precisava, fui na Eagle Rider no sábado de manhã buscar minha Harley. Novamente, excelente atendimento. Muitas opções de moto. Escolhi a Electra Glide por ser, em teoria, uma excelente cruiser. Digo “em teoria” porque apesar de ter moto desde 2004, só tive duas motos até então. Ao pegar a moto o vendedor me deu todas as instruções. Ensinou a usar o cruse control, o aparelho de som (sim, ela tem um som de excelente qualidade!) e todos os acessórios. A insegurança foi inevitável, já que iria pilotar uma moto grande pela primeira vez (motor 1700cc e mais de 300 kg) sendo que também era a primeira vez que pilotava nos Estados Unidos. Com bastante cuidado e fingindo ser experiente no assunto, saí da loja e fui para o hotel, onde minha esposa deixaria o carro para fazermos a primeira viagem: um bate e volta Orlando – Daytona Beach.

– Pegando a estrada

Saímos de orlando e pegamos I-4. Asfalto perfeito, diferente de qualquer coisa que exista no Brasil. Sinalização clara. Trânsito disciplinado. As duas poucas regras desrespeitadas por lá são: limite de velocidade e buzina. Para-se no pare, não se anda pelo acostamento, preferências são respeitadas. Ninguém força passagem. Não tem “espertos” furando fila nem coisas do tipo. A buzina é para quem deixa de fazer uso de sua preferência e fica parado “comendo mosca”. Ou seja, é só respeitar a sinalização que você viaja tranquilo. E tranquilidade não faltava na Electra Glide. Um grande para-brisa segurava o vento gelado daquele dia frio (cerca de 10 ºC). Os assentos, enormes, pareciam uma poltrona de uma sala confortável. Pés e braços esticados. Rádio via satélite transmitindo um bom rock’n’roll  em alta definição. Praticamente não há curvas nem ladeiras. Também não há mudanças na velocidade, pois mesmo quando há entradas/saídas para grandes rodovias, a quantidade de pistas aumenta. Cerca de uma hora e meia depois chegamos em Daytona Beach.

– Daytona Beach

A cidade é um ícone do automobilismo e do motociclismo. Na chegada logo se vê o famoso autódromo que sedia uma das competições mais conhecidas do mundo: a Nascar. Na rua principal (“Main Street”, literalmente), muitas lojas de moto e bares. Com certa dificuldade (pela falta de experiência com a moto), passamos pelas pequenas ruas e paramos em um estacionamento. Em seguida fizemos uma pequena caminhada pela orla. Sobre a orla, vale a pena destacar que a passagem de veículos é permitida. E o motivo é plausível: nessa imensidão de mais de 10 milhas foi onde começaram as corridas. Almoçamos no famoso “The Pier”. A comida deve ser boa para quem come siri (especialidade lá). O prato que comemos não era lá essas coisas e foi bem caro…

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– Voltando para Orlando

A volta foi tranquila. Curtimos a moto, o som e conversamos muito (mesmo rodando a 70 mph – equivalente a 112 km/h –  é possível conversar com o carona por conta do parabrisa). Ao chegar em Orlando, senti o peso da moto: dores nos braços por conta da embreagem pesada (afinal, o motor tem 1700 cc) e das manobras. No dia seguinte o passeio seria mais ousado: Miami.

– Bate e volta em Miami

As dores no braço incomodavam, mas nada me impediria de rodar os 600 km previstos para aquele dia. Aprendi a usar o cruise control e a viagem foi totalmente diferente. Sem me preocupar com o acelerador, sem curvas nem trevos/cruzamentos, deixei de ser um piloto e me tornei um passageiro (e de primeira classe!). Notei que a 70 mph todos os carros (inclusive ônibus e carretas) me ultrapassavam. Aumentei então para 80 mph (128 km/h). Fiquei um pouco preocupado com os patrulheiros rodoviários que, como nos filmes, ficam em seus possantes carros na beira da estrada. Mas ao perceber que ninguém trafegava numa velocidade inferior à minha, decidi mantê-la. Ainda assim, pude testemunhar várias “intervenções” da polícia. Chega a ser divertido: você olha no retrovisor e vê o sheriff vindo com tudo (e olha que eu estava a quase 130!). De repente ele “cola” na traseira de um determinado carro, cujo motorista sabe que precisa parar no acostamento. A cena se repetiu várias vezes…

Nosso plano inicial era conhecer Miami, mas na véspera optamos por aproveitar a viagem para fazer compras no Sawgrass Mills – afinal, espaço para a bagagem não faltava na moto. Almoçamos, compramos e pegamos a estrada por volta de 17h, horário em que o sol se põe por lá nessa época do ano. Vimos um pôr do sol lindo e logo escureceu. Novamente, viagem tranquila…

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Guia prático (e resumido) para quem quer alugar uma moto nos EUA:

  1. Roupas e acessórios: http://www.cyclegear.com . É uma das melhores lojas para motociclistas. Veja de uma vez o que você quer comprar para não gastar muito tempo na loja (você ficará fascinado com a quantidade de itens e os preços baixos).
  2. Aluguel da moto: http://www.eaglerider.com . Você tem que reservar com antecedência. Se for viajar, recomendo uma cruiser. Se quiser passear pela cidade, o melhor é pegar uma moto menor. O atendimento via email é impecável. Qualquer dúvida, é só acionar.
  3. Seguro: faça. Motos desse padrão custam em torno de US$ 20.000,00. Nas ruas sobram Porsches, BMWs, Buicks e etc. O trânsito é disciplinado e a criminalidade é baixa. Entretanto, se você esbarrar num carro desses ou tiver a moto furtada, terá uma bela dívida para pagar.
  4. Capacete: recomendo que compre um. Na maioria dos estados o uso do capacete é opcional. A locadora vai te emprestar um, mas é só um enfeite. Sequer tem viseira. Não queira pilotar numa noite fria sem viseira como eu pilotei…
  5. Combustível: você vai ter que aprender a abastecer sua própria moto, já que lá não tem frentista. É simples: pague um valor alto no caixa, dizendo a bomba onde você está (cerca de US 20.00 será mais do que suficiente se o tanque estiver vazio), abasteça com muito cuidado para não entornar e volte para pegar o troco (ou estornar o cartão).
  6. Regras de circulação: nada de “usar o bom senso”. Respeite as regras e pronto. Tem que parar no pare. Em faixa contínua não se troca de pista. Seta deve ser usada. E a preferência é SEMPRE do pedestre – que normalmente não olha antes de atravessar. As diferenças para o Brasil são poucas: 1) no sinal vermelho é possível dobrar à direita (exceto se o sinal estiver em forma de seta para a direita); 2) na maioria dos cruzamentos é possível converter à esquerda; 3) na cidade a pista do meio normalmente só é utilizada para conversões à esquerda.
  7. Moto: assista vídeos no Youtube sobre a moto que você vai alugar. Quanto mais conhecer a moto, melhor.
  8. GPS: recomendo alugar um (na própria locadora). Ele já virá ligado na bateria e acoplado no painel. É próprio para moto (pode ser manuseado de luva e resiste à chuva).
  9. Tempo: olhe a previsão do tempo na internet e vista-se adequadamente.
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3 comentários sobre “Viajando de moto nos Estados Unidos

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